quinta-feira, 24 de setembro de 2009

OFICINA 7 - TP 5


OFICINA 7 - TP 5

Nesta focalizamos a construção da coerência textual e os aspectos lingüísticos e sócio-comunicativos responsáveis pela continuidade de sentido de um texto; pela tessitura das informações no texto.

Usamos, como objetos de análise, textos verbais e visuais e focalizamos, nas diversas seções, aspectos diversificados de construção textual. Relacionamos os mesmos e verificamos como, solidariamente, contribuem para boa formação do texto, ou seja, para a articulação das informações de todas as partes do texto de modo a formar um todo significativo.

Discutimos textos publicitários, charges, cartuns. Analisando em detalhes como a coerência é construída a partir da articulação entre informações do texto e experiências prévias que o leitor tem a respeito do assunto.

Observamos os efeitos de sentido do texto como um todo e, depois, analisamos cada parte e como elas se articulam na unidade textual.

A coesão e a coerência foi trabalhada com o baralho de figuras e com as imagens que selecionei e vistas nos slides.

Cada cursista foi desafiada a dar continuidade ao texto da colega, pensando sempre, na continuidade semântica – que fosse coerente e coeso. O texto foi escrito no quadro.

OUTRA ATIVIDADE


Foi lido o texto Os diferentes estilos de Paulo Mendes Campos e a turma reescreveu a notícia empregando um estilo sorteado


OS DIFERENTES ESTILOS

Paulo Mendes Campos

Parodiando Raymond Quenau, que toma um livro inteiro para descrever de todos os modos possíveis um episódio corriqueiro, acontecido em um ônibus de Paris, narra-se aqui, em diversas modalidades de estilo, um fato comum da vida carioca, a saber: o corpo de um homem de quarenta anos presumíveis é encontrado de madrugada pelo vigia de uma construção, à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, não existindo sinais de morte violenta.

Estilo interjetivo: Um cadáver! Encontrão em plena madrugada! Em pleno bairro de Ipanema! Um homem desconhecido! Coitado! Menos de quarenta anos! Um que morreu quando a cidade acordava! Que pena!

Estilo colorido: Na hora cor-de-rosa da aurora, à margem da cinzenta Lagoa Rodrigo de Freitas, um vigia de cor preta encontrou o cadáver de um homem branco, cabelos louros, olhos azuis, trajando calça amarela, casaco pardo, sapato marrom, gravata branca com bolinhas azuis. Para este, o destino foi negro.

Estilo antimunicipalista: Quando mais um dia e sofrimento e desmandos nasceu para esta cidade tão mal governada, nas margens imundas esburacadas e fétidas da Lagoa Rodrigo de Freitas, e em cujos arredores, falta água há vários meses, sem falar nas freqüentes mortandades de peixes já famosas, o vigia de uma construção (já permitiram, por debaixo do pano, a ignominiosa elevação de gabarito em Ipanema) encontrou o cadáver de um desgraçado morador desta cidade sem policiamento. Como não podia deixar de ser, o corpo ficou ali entregue às moscas que pululam naquele perigoso foco de epidemias. Até quando?

Estilo reacionário: Os moradores da Lagoa Rodrigo de Freitas tiveram na manhã de hoje o profundo desagrado de deparar com o cadáver de um vagabundo que foi logo escolher para morrer (de bêbado) um dos bairros mais elegantes desta cidade, como se já não bastasse para enfear aquele local uma sórdida favela que nos envergonha aos olhos dos americanos que nos visitam ou que nos dão a honra de residir no Rio.

Estilo então: Então o vigia de uma construção em Ipanema não tendo sono, saiu então para passeio de madrugada. Encontrou então o cadáver de um homem. Resolveu então procurar um guarda. Então o guarda veio e tomou então as providências necessárias. Aí então eu resolvi te contar isto.

Estilo áulico: À sobremesa, alguém falou ao Presidente, que na manhã de hoje o cadáver de um homem havia sido encontrado na Lagoa Rodrigo de Freitas. O Presidente exigiu, imediatamente, que um de seus auxiliares telegrafasse em seu nome à família enlutada. Como lhe informassem que a vítima ainda não fora identificada. S. Exa., com o seu estimulante humor, alegrou os presentes com uma das suas apreciadas blagues.

Estilo schmidtiano: Coisa horrível é o encontro com um cadáver desconhecido à margem de um lago triste à luz fria da aurora! Trajava-se com alguma humildade, mas seus olhos eram azuis, olhos para a festa alegre colorida deste mundo. Era trágico vê-lo morto. Mas ele estava ali, ingressara para sempre no reino inviolável e escuro da morte, este Rio um pouco profundo caluniado de morte.

Estilo complexo de Édipo: Onde andará a mãezinha do homem encontrado morto na Lagoa Rodrigo de Freitas? Ela que o amamentou, ela que o embalou em seus braços carinhosos?

Estilo preciosista: No crepúsculo matutino de hoje, quando fulgia solitária e longínqua a Estrela d’Alva, o atalaia de uma construção civil, que perambulava insone pela orla sinuosa e murmurante de uma lagoa serena, deparou com a atra e lúrida visão de um ignoto e gélido ser humano, já eternamente sem o hausto que vivifica.

Estilo Nélson Rodrigues: Usava gravata de bolinhas azuis e morreu!

Estilo sem jeito: Eu queria ter o dom da palavra, o gênio de um Rui ou o estro de um Castro Alves, para descrever o que se passou na manhã de hoje. Mas não sei escrever, porque nem todas as pessoas que têm sentimento são capazes de expressar esse sentimento. Mas eu gostaria de deixar, ainda que sem brilho literário, tudo aquilo que senti. Não sei se cabe aqui a palavra sensibilidade. Talvez não caiba. Talvez seja uma tragédia. Não sei escreve, mas o leitor poderá perfeitamente imaginar o que foi isso. Triste, muito triste, ah, se eu soubesse escrever!

Estilo feminino: Imagine você, Tutsi, que ontem eu fui ao Sach’s legalíssimo, e dormi tarde, com o Tony. Pois logo hoje minha filha que eu estava exausta e tinha hora marcada no cabeleireiro, e estava também querendo dar uma passada na costureira, acho mesmo que vou fazer aquele plissadinho, como o da Teresa, o Roberto resolveu me telefonar quando eu estava no melhor do sono. Mas o que era mesmo que ia te contar? Ah, menina. Quando eu olhei da janela, vi uma coisa horrível, um homem morto lá na beira da Lagoa. Estou tão nervosa! Logo eu que tenho horror de gente morta.

Estilo lúdico ou infantil: Na madrugada de hoje por cima o corpo de um homem por baixo foi encontrado por cima pelo vigia de uma construção por baixo. A vítima por baixo não trazia identificação por cima. Tinha aparentemente por cima a idade de quarenta anos por baixo.

Estilo concretista: Dead dead man man mexe mexe Mensch Mench MENSCHEIT.

Estilo didático: Podemos encarar a morte do desconhecido, encontrado morto à margem da Lagoa em três aspectos: a) policial; b) humano; c) teológico. Policial: o homem em sociedade; o humano: homem em si mesmo; teológico: o homem em Deus. Polícia e homem: fenômeno; alma de Deus: epifenômeno. Muito simples, como os senhores veem.


NOTA: 1 – A palavra estilo procede do latim stilu – ponteiro de ferro com o qual os antigos escreviam sobre tábuas enceradas. Por extensão,, seu sentido ampliou-se, adquirindo a significação geral do modo ou maneira particular de alguém utilizar-se da língua.

OS ESTILOS SORTEADOS

ESTILO XUXA
ESTILO SÍLVIO SANTOS
ESTILO DIDI
ESTILO JÔ SOARES
ESTILO ENÉIAS
ESTILO LULA
ESTILO BRIZOLA
ESTILO ROMÁRIO
ESTILO PELÉ
ESTILO GALVÃO BOENO
ESTILO MARTA SUPLICY
ESTILO LUCIANO HUK
ESTILO PELÉ
ESTILO CAETANO VELOSO

OUTRA ATIVIDADE

Foi lido o poema Traduzir-se, de Ferreira Gullar e solicitado aos grupos a transposição do texto verbal para a linguagem não verbal, por meio de imagens e cores.


TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte,
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Um parte de mim
é permanente:
outra parte,
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra
- que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?



OUTRA ATIVIDADE

Trabalhamos com cartuns e charges de Quino, de Mordillo e de Angeli e outros autores.

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