domingo, 20 de setembro de 2009

LIVRO TEORIA E PRÁTICA 5

TP 5


UNIDADES 19 E 20

OBJETIVOS DA UNIDADE 19

1- Identificar elementos linguísticos responsáveis pela continuidade de sentidos em um texto.
2- Analisar mecanismos de coesão referencial.
3- Analisar mecanismos de coesão sequencial.

COESÃO TEXTUAL

"A coesão não nos revela a significação do texto, revela-nos a construção do texto enquanto edifício semântico."M. Halliday

COESÃO


A coesão é essa “amarração” entre as várias partes do texto, ou seja, o entrelaçamento significativo entre declarações e sentenças. Existem, em Língua Portuguesa, dois tipos de coesão: a lexical e a gramatical.


COESÃO LEXICAL


A coesão lexical é obtida pelas relações de sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos.

COESÃO GRAMATICAL

A coesão gramatical é conseguida a partir do emprego adequado de artigo, pronome, adjetivo, determinados advérbios e expressões adverbiais, conjunções e numerais.


ALGUNS EXEMPLOS DE COESÃO:(perífrase ou antomásia)


Perífrase ou antonomásia - expressão que caracteriza o lugar, a coisa ou a pessoa a que se faz referência.


EXEMPLO

O Rio de Janeiro é uma das cidades mais importantes do Brasil. A cidade maravilhosa é conhecida mundialmente por suas belezas naturais, hospitalidade e carnaval.

Nominalizações

Uso de um substantivo que remete a um verbo enunciado anteriormente. Também pode ocorrer o contrário: um verbo retomar um substantivo já enunciado.

EXEMPLO DE NOMINALIZAÇÃO


A moça foi declarar-se culpada do crime. Essa declaração, entretanto, não foi aceita pelo juiz responsável pelo caso.

O testemunho do rapaz desencadeou uma ação conjunta dos moradores para testemunhar contra o réu.


Palavras ou expressões sinônimas ou quase sinônimas

Ainda que se considere a inexistência de sinônimos perfeitos, algumas substituições favorecem a não repetição de palavras.

EXEMPLO


Os automóveis colocados à venda durante a exposição não obtiveram muito sucesso. Isso talvez tenha ocorrido porque os carros não estavam em um lugar de destaque no evento.

Repetição vocabular

Ainda que não seja o ideal, algumas vezes há a necessidade de repetir uma palavra, principalmente se ela representar a temática central a ser abordada.

Deve-se evitar ao máximo esse tipo de procedimento ou, ao menos, afastar as duas ocorrências o mais possível, embora esse seja um dos vários recursos para garantir a coesão textual.

EXEMPLO


A fome é uma mazela social que vem se agravando no mundo moderno. São vários os fatores causadores desse problema, por isso a fome tem sido uma preocupação constante dos governantes mundiais.

Um termo síntese

Usa-se, eventualmente, um termo que faz uma espécie de resumo de vários outros termos precedentes, como uma retomada

EXEMPLO


O país é cheio de entraves burocráticos. É preciso preencher uma enorme quantidade de formulários, que devem receber assinaturas e carimbos. Depois de tudo isso, ainda falta a emissão dos boletos para o pagamento bancário. Todas essas limitações acabam prejudicando as relações comerciais com o Brasil.

Pronomes

Todos os tipos de pronomes podem funcionar como recurso de referência a termos ou expressões anteriormente empregados. Para o emprego adequado.

EXEMPLO

Vitaminas fazem bem à saúde, mas não devemos tomá-las sem a devida orientação.

A instituição é uma das mais famosas da localidade. Seus funcionários trabalham lá há anos e conhecem bem sua estrutura de funcionamento.

A mãe amava o filho e a filha, queria muito tanto a um quanto à outra.

Numerais


As expressões quantitativas, em algumas circunstâncias, retomam dados anteriores numa relação de coesão.

EXEMPLO

Foram divulgados dois avisos: o primeiro era para os alunos e o segundo cabia à administração do colégio.

As crianças comemoravam juntas a vitória do time do bairro, mas duas lamentavam não terem sido aceitas no time campeão.

Advérbios pronominais


Expressões adverbiais como aqui, ali, lá, acolá, aí servem como referência espacial para personagens e leitor.

EXEMPLO


Querido primo, como vão as coisas na sua terra - Aí todos vão bem ?

Ele não podia deixar de visitar o Corcovado. Lá demorou mais de duas horas admirando as belezas do Rio.

Elipse

Essa figura de linguagem consiste na omissão de um termo ou expressão que pode ser facilmente depreendida em seu sentido pelas referências do contexto.

EXEMPLO


O diretor foi o primeiro a chegar à sala. Abriu as janelas e começou a arrumar tudo para a assembléia com os acionistas.

Repetição de parte do nome próprio


Machado de Assis revelou-se como um dos maiores contistas da literatura brasileira. A vasta produção de Machado garante a diversidade temática e a oferta de variados títulos.

Atividade 19

Apresentar uma imagem e pedir ao grupo que faça uma narrativa a partir dela.
O texto será produzido coletivamente e registrado na lousa, ou em papel pardo.
O texto será lido para que se reconheçam os elementos de coesão presentes ou não nele.


Atividade 20

A partir da leitura dos textos a seguir, fundamentando-se nos comentários sobre texto , discurso e textualidade, os professores produzirão outros textos com coerência e sem coesão.

COISAS TÍPICAS DO BRASIL

windsurf, jogging, jeans, coberturas, walkman, skate-board, filmes enlatados, tranquilizantes, surf, merchandising, motéis, Castel, house-organs, Play-boy, Lui, desodorante vaginal, cigarros com filtro, marketing, design, Fiorucci, Régine’s, Sheraton, week-end, supermercados, carisma, Hippopotamus, táxi-girl, Texaco, topless, hora do rush, scripts, pool, playground, offset, secretária eletrônica , nylon, acrílico, makeup, blecaut, intervews, specials, impeachment, high-fidelity, cassetes, flashs , escova de dente elétrica, parkeamento, executivos, lavagem cerebral, Méridien, dumpings, doping, close-up, bone-steaks, bacground, cartoes de crédito, rock,, kleenex, lobbies políticos, agit-prop, clubes do livro, psicanálise, waffles, pizza, puzzles, jogos eletrônicos, spray, spread, cerveja em lata, Bob’s, disk-jóqueis, pesquisas de mercado, juventude, Coca-Cola, and so weiter.

Rodeio


Marketing
Baile do Cowboy
Banda country
Danças

Tickets de entrada
Apresentação
Fogos
Montarias
Wiskys, vodca
Boite

Cansaço
Volta de táxi
Ressaca
Aula no dia seguinte
Sono... And
Rotina novamente...

Karina Beatriz e Naiara Fidalgo



Um texto, em geral, se constrói a partir de informações sobre o tema escolhido e sobre relações lógicas que buscam o fio condutor da coerência das ideias entre si e com a situação em que é produzido.

Muitas das informações nem precisam ser explicitadas porque decorrem de ideias já expressas no texto. Pelas relações lógicas recuperam-se tais significados implícitos.

Na relação de hiponímia reconhecemos a abrangência de sentidos dos conceitos e ideias, estabelecendo a hierarquia ou subordinação dos elementos, hipônimos.

Sua contrapartida é a hiperonímia, que focaliza a superordenação dos elementos de uma classe, os hiperônimos.

Relações de condição e de conclusão também marcam a construção de significados implícitos.


A língua dispõe de variados recursos para marcar as relações lógicas que constituem a textualidade e funcionam como “pistas” para a depreensão dos implícitos. As orientações para uma correta interpretação das relações lógicas são parte das relações de coesão e coerência de um texto.
Como o conhecimento partilhado pelos interlocutores e as finalidades comunicativas são fatores decisivos para marcar essas orientações, os gêneros textuais são relevantes na construção lógica do texto – e na consequente busca de coerência.
A flexibilidade nas marcas linguísticas dessas relações está intimamente relacionada ao gênero. Em geral, textos que exploram mais a linguagem poética exigem menor articulação entre as relações lógicas; textos que objetivam maior grau de “cientificidade” fundamentam-se em fortes relações lógicas.


A textualidade é constituída a partir de relações de coerência textual e de mecanismos linguísticos de coesão.
A coerência pode ser definida como um princípio de interpretabilidade decorrente da capacidade do texto de agir como unidade, remetendo a um sentido global. A coesão é o conjunto de interligações que os elementos linguísticos de um texto apresentam de modo a construir um mundo textual coerente.
Pode-se dizer, por isso, que a coerência estabelece a harmonia do texto com o mundo exterior; a coesão é uma construção harmoniosa entre as relações de sentido internas ao texto.
Um texto, para produzir sentidos, deve fornecer informações adequadas para que o leitor/ouvinte seja capaz de construir uma representação coerente do mundo textual, ativando conhecimentos prévios ou chegando a algumas conclusões a respeito do conjunto de informações linguisticamente organizadas.
O reconhecimento de que tipo de relações lógicas tais informações estabelecem depende do reconhecimento de como as marcas, ou pistas, sobre essas relações estão organizadas no texto.

OBJETIVOS- Unidade 20

1- Identificar relações lógicas de temporalidade e de identidade na construção de sentido do texto.
2- Analisar efeitos de sentido decorrentes da negação.
3- Analisar relações lógicas de construção de significados implícitos na leitura e na produção de textos.

Atividade 22


Apresentar o texto Uma história sem pé nem cabeça! fragmentado em fichas e solicitar aos grupos que o reorganize atentando para a sequência temporal do texto.

Uma história sem pé nem cabeça!

( ) Marília era bem pequena

( ) que a cômoda no quarto da

( ) colo e deixava que os tocasse

( ) os vidros de perfumes, a caixa

( ) onde se cendiam velas se

( )quando descobriu o mar. Não

( )Dona Beatriz ria ao vê-la na

( )anos tinha, mas lembrava-se

( ) faltava luz à noite.

( ) com os dedinhos grosso. A

( ) ponta dos pés, querendo alcançar

( ) consegui se lembrar quantos

( ) Tudo o que havia sobre a

( ) mãe mostrava os porta-retratos,

( ) de joias (com mrgaridas pintadas

( ) mãe era mais alta que ela.

( ) cômoda parecia precioso, intocável.

( ) na tampa) o castiçal prateado

( ) os objetos. Pegava Marília no

( ) - Mamãe, deixa eu ver lá em cima!

RIOS, Rosana. Mar e Ilha. Editora Estação Liberdade. (Retirado de AAA 5, p. 75).


Atividade 23


Ler o texto Dois sapos, e refletir com o grupo as relações lógicas de construção de significados na produção do texto e os efeitos de sentido decorrentes da negação.

DOIS SAPOS

Vivia um sapo no fundo do poço. Lá nascera, lá vivera, de lá nunca saíra e lá esperava morrer. O seu horizonte era de um metro e meio de largura - o diâmetro do poço. A profundidade de sua vida era de três palmos - como as águas do poço. Para além da borda do poço, nada mais existia para ele...

Certo dia, tombou no fundo o poço um sapo de outras regiões. Vinha de longe, de muito longe, das praias, do mar...

Com certo rancor, viu o primeiro invadido pelo segundo o seu espaço vital. Mas, como o segundo era mais forte, resolveu o primeiro não guerrear e limitar-se à defesa passiva...

Depois de três dias de silêncio recíproco, travou-se entre os dois baráquios o diálogo seguinte:

- Donde vens tu, estranho invasor?

- Das praias do mar, ignoto ermitão!

- Que coisa é o mar?

- O mar?... o mar é uma grande planície d'água.

- Tão grande como esta pedra em que pousam minhas pernas gentis?

- Muito maior.

- Tão grande como esta água que reflete meu corpo esbelto?

- Maior, muitíssimo maior.

- Tão grande como este poço, minha casa adorável?

- Mil vezes maior. Milhares de poços deste caberiam no mar que eu vi. O mar é tão grande que sempre começa lá onde acaba. É tão grande que todo o céu cabe nele e ainda sobra mar. Todos os sapos do mundo, pulando a vida inteira, não chegariam ao outro lado, tão grande é o mar e cuja margem eu nasci e vivi.

- Safa-te daqui mentiroso! - exclamou o batráquio do poço. Não diz a história se algum deles, supersapo, venceu nesta luta feroz... Nem se um deles, batráquio genial, convenceu o outro da verdade de suas ideias...

Conta apenas que, desde esse tempo, vivem no mundo seres que só creem em si mesmos. Seres que sabem tudo o que os outros ignoram. Seres que tacham de loucos aos que confirmam o que eles não compreendem... seres que tão vasto saber que consideram desdouro prender...

Não fales, meu amigo, em mares que nunca viu!

Deixa viver no poço quem no poço nasceu!

Horizonte de metro e meio, água de três palmos de fundo, pedra de meio palmo - o que mais quer um batráquio de um poço?

Deixa ao ignorante sua feliz ignorância!

Não fales em mares a quem para o poço nasceu!

Cada qual com seu igual...

RHODEN, Humberto. De alma para alma. São Paulo: Alvorada, 1980.

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